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  • Luciana Adamatti

O Mundo Nunca Mais Será o Mesmo: Disrupção e Novas Perspectivas





Em nosso último artigo, trouxemos alguns insights importantes para reflexão, baseados nas conclusões trazidas pela equipe Google IAT sobre os efeitos da pandemia de COVID-19 como um todo, com maior foco nos impactos no Brasil.


Porém, de forma global, quais são os impactos que já estão sendo sentidos, e quais as perspectivas que já estão se delineando dentro deste novo quadro?


De acordo com a análise de Amy Webb, em publicação do MIT Sloan Management Review, citada no relatório Google IAT, a Teoria das Forças Futuras engloba 11 forças macro de mudanças e que normalmente estão fora do controle de um líder e/ou organização. Todas essas forças estão em transformação nesse momento de enfrentamento ao COVID-19. Uma disrupção é resultado de mudança em uma ou mais dessas forças. E, atualmente, estas forças estão passando pelos seguintes movimentos:


1. Distribuição de Renda: historicamente, as crises econômicas contribuem para uma concentração maior da renda e essa mudança de dinâmica pode ser campo fértil para novos modelos de negócio que atendam novas necessidades.

2. Educação: o fechamento das escolas culminou em uma migração temporária do estudo primário e secundário para o digital. Também observamos um crescimento de cursos online de temas variados.

3. Infraestrutura: essa nova dinâmica está fazendo com que toda uma infraestrutura seja repensada para atender essa nova realidade, seja a virtualização do trabalho, das relações e do entretenimento, seja no que tange a mobilidade e cadeia de suprimentos.

4. Governo: mudanças regulatórias estão sendo discutidas para acomodar melhor a vida de seus cidadãos e acelerar inovações tecnológicas capazes de trazer mais segurança e conforto.

5. Geopolítica: a COVID também mudou a dinâmica entre países, seja no fechamento de fronteiras, acordos comerciais e principalmente no que tange a capital e investimentos.

6. Economia: cenários recessivos e alta taxa de desempregos vem mexendo com a economia de todos os países impactados.

7. Saúde Pública: o centro de toda a discussão e como acelerar políticas públicas, investimentos, pesquisas e a infraestrutura dos sistemas de saúde públicos no combate à COVID-19.

8. Demografia: infelizmente, a taxa de infectados e a taxa de mortalidade entre diferentes taxas da população pode impactar a demografia dos países.

9. Meio Ambiente: no meio das discussões acerca da saúde, começam a se perceber impactos direto no meio ambiente. Nas primeiras semanas de Março, a CETESP relatou diminuição de 50% nos níveis de poluição na cidade de São Paulo

10. Mídia e Telecomunicações: os impactos aqui são referentes a como nós enviamos, recebemos e consumimos informações, e também como nos conectamos com as pessoas, apresentando profundas transformações

11. Tecnologia: é o tecido conjuntivo que liga negócios, Governo e sociedade, por isso ela permeia todas as outras 10 forças. Aqui olhamos para desenvolvimento de tecnologias emergentes, bem como sinais técnicos dentro de outras fontes de mudança.


Falando-se em consumo, o que se apresenta é uma mudança de comportamento significativa na forma de compra dos mais variados tipos de produtos, sejam eles bens ou serviços. Convergindo para os movimentos das 11 forças macro para disrupção, o consumo por vias digitais, algo que já vinha se moldando, mas com velocidade moderada, teve uma aceleração sem precedentes, pelas necessidades que foram criadas em função da obrigatoriedade do isolamento e distanciamento social.


O marketplace Mercado Livre, trouxe a público os reflexos destes novos hábitos através de dados coletados nos países em que opera na América Latina, no período de 24/02 a 03/05/2020, comparando-os com o mesmo período de 2019:


· Mais tempo em casa impulsionou categorias relacionadas ao novo estilo de vida imposto:

o +300% Saúde e Equipamento Médico

o +164% Bens de Consumo e Alimentos

o +84% Casa, Móveis e Jardim

o +61% Entretenimento & Fitness

o +55% Computação


· Considerando produtos de forma individual, o marketplace também elencou os 50 top produtos durante o período. Como já esperado, produtos relacionados diretamente com a pandemia como máscaras (+818%) e gel antibacteriano (+150%), tiveram crescimento muito acima do esperado. Porém, o que chama a atenção são outros produtos, considerados não essenciais:

o +85% fones de ouvido

o +70% suplementos alimentares

o +46% vídeo games

o +38% jogos de tabuleiro

o +36% beleza e cuidados pessoais

o +35% eletrodomésticos e acessórios

o +34% cuidados faciais

o +32% acessórios para veículos

o +25% jogos e brinquedos

o +24% fraldas

o +33% tinturas de cabelo

o +22% cuidados domésticos e lavanderia

o +22% cuidados da pele

o +20% xampu e condicionador

o +19% mouse


· Além disso, mais usuários adotaram os serviços financeiros on-line para sua conveniência e comodidade: 7 em cada 10 declararam que irão continuar utilizando métodos eletrônicos de pagamento.


Em outras palavras, haverá sim, uma retração no consumo, fortemente amparada no empobrecimento geral da população. Porém, as pessoas seguirão consumindo. E, em virtude do novo modelo mental relacionado à segurança e saúde, somado ao fator comodidade, os canais digitais serão os grandes protagonistas do novo modelo econômico.


Para as micro, pequenas e médias empresas, que são as mais afetadas pelas consequências da pandemia, há a urgência de se reinventarem digitalmente para, neste momento, sobreviverem no mercado, e, no médio prazo, prosperarem.


Considerando o que expomos acima, ficam duas provocações: será que sua empresa está preparada para esta nova perspectiva? Sua empresa e seus produtos “existem” digitalmente?


Em nosso próximo artigo, abordaremos o tema sobre como a aceleração digital pode ser benéfica para a manutenção e crescimento dos pequenos e médios negócios (apesar de parecer que não, neste momento).


Um abraço!


Fontes:

https://www.sincovaga.com.br/wp-content/uploads/2020/05/1_5017503098675921079.pdf

http://www.aberje.com.br/wp-content/uploads/2020/05/Mercado-Livre-Evoluc%CC%A7a%CC%83o-nos-ha%CC%81bitos-do-consumidor-em-tempos-de-COVID-19.pdf

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