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  • Luciana Adamatti

O Mundo Nunca Mais Será o Mesmo

*Artigo criado a partir do relatório “Coronavírus: O mundo nunca mais será o mesmo”, do Google Integrated Analytical Team (IAT)



2020 dava sinais de ser o ano em que, depois de um longo período amargando anos ruins, sem crescimento, o Brasil voltaria com tudo. As previsões eram bastante otimistas: empresários voltando a elevar o nível de confiança no governo e na economia, realizando investimentos para ampliar produção e negócios. Tudo apontava para um grande ano para nossa economia.


E, então, a Covid-19 chegou, e obrigou a todos, não somente ao Brasil, a se adequarem a uma nova realidade. O que se acreditava como líquido e certo, em termos de planejamento e estratégia, teve que ser revisto, e de uma forma extremamente ágil. O mercado, que antes disso, já tinha suas inconstâncias, passou a ser uma incógnita: até os mais renomados estudiosos, de todas as áreas, se viram inseguros em expressar uma opinião consistente sobre os rumos que poderiam ser tomados.


Levando tudo em isso em conta, e passados quase 90 dias desde que a movimentação relativa ao Coronavírus iniciou no Brasil, a Google, através do IAT (Integrated Analytical Team), realizou o levantamento e cruzamento de vários dados, buscando trazer informação que pudesse aclarar os próximos passos que podem ser dados a partir de agora. O resultado deste estudo foi o relatório “Coronavírus: O mundo nunca mais será o mesmo”, que foi disponibilizado recentemente pela empresa. Como se trata de um trabalho extenso, buscamos trazer a seguir alguns dos insights deste estudo que consideramos os mais interessantes.


De acordo com Bain, em sua publicação The Elements of Value (2016), as necessidades humanas podem ser agrupadas em quatro grupos: funcionais, emocionais, aspiracionais e sociais.


Com base nisso, o relatório da Google traz que estaríamos na 2ª onda de análise de nossas necessidades: houve uma "onda prévia", entre 20/02 e 14/03, aonde os impactos financeiros chegaram primeiro, e nossas necessidades funcionais colocaram-se em protagonismo; depois, entre 14/03 e 22/03, vivenciamos a "Primeira Onda", quando o coronavírus chegou a nosso país, trazendo o foco para a importância de se manter informado sobre o tema e suas consequências, deixando de lado o entretenimento, onde as necessidades seguiram em evidência. E, na "Segunda Onda", a qual está sendo vivenciada pelo nosso país desde 22/03, percebe-se que todos os níveis da pirâmide de necessidades foram afetados.


De acordo com o IAT Google, os principais impactos da "Segunda Onda" que podem trazer mudanças comportamentais no pós crise são:

1. Aceleração da digitalização para ocupações fundamentais como trabalho e educação, além de hábitos como o culto religioso;

2. Aceleração da confiança no digital como canal de conversões: aumento das compras on-line e uso de serviços como Rappi;

3. Consolidação de plataformas digitais de conteúdo/streamings em penetração e frequência. Ganho de novos usos destas plataformas como “ao vivo”, shows, conexão com o mundo exterior em tempo real e notícias;

4. Empobrecimento da população com pelo menos 50% gravemente impactado. Escassez e uso + racional de recursos deve equilibrar a euforia por consumo por conta da demanda reprimida;

5. Possível ganho de peso populacional e aumento de problemas de saúde e emocionais em consequência. Aumento de problemas de auto-estima. Possível mudança em referenciais de beleza. Provável aumento na demanda por academias;

6. Possível abalo nas relações familiares com aumento do número de divórcios, a exemplo da China;. 7. Criação de maior consciência do coletivo com alta taxa de compartilhamento de renda já acontecendo;

8. Urgência na retomada de grandes decisões e planos, assim como compra de bens duráveis.

Além disso, o virtual passa a ser realmente o grande canal para tudo: negócios, estudos, entretenimento. Hábitos, relações e ocupações passam a ser revistos (+266% em buscas por "missa" no YouTube; 18% das pessoas buscando um novo curso on-line; 20% passam a se reunir com amigos e parentes virtualmente), e a busca por conteúdo passa a ser cada vez mais relevante (+86% em downloads de app´s de streaming; +34% no Whatchtime do YouTube no Brasil; mudança do "Prime Time" para entre 11h e 13h; +60% de buscas pelo "ao vivo" no YouTube).


Outro ponto que passa a ser relevante são os "imigrantes digitais". Os imigrantes digitais são as pessoas nascidas antes da popularidade da internet. Entre elas, há quem não esteja adaptado ainda à tecnologia e são excluídos com frequência das estratégias de inclusão digital. Em 2018, os imigrantes digitais já eram a maioria da população brasileira, cerca de 100 milhões de pessoas. E na nova realidade trazida pela quarentena, na qual a maior parte do consumo ocorreu por canais digitais, as empresas se viram obrigadas a apoiar este público a manusear a internet com mais fluidez e segurança, criando, para isso, manuais on line para apoiar este público a acessar seus canais digitais.


O report também traz que trabalhar/estudar é atividade principal para 35% dos internautas brasileiros em casa. Dentre os internautas brasileiros que já trabalhavam e/ou estudavam, mesmo com mudanças na rotina, as atividades diárias prioritárias dos brasileiros entrevistados pós surto do COVID-19 são: 35% trabalhar/ estudar; 21% tarefas domésticas; 11% se informar; 9% atividade física em casa; e 7% atividade com filhos.


Inúmeras informações relevantes são ainda trazidas pelo estudo, as quais pretendemos abordar em próximos artigos, objetivando gerar reflexões pertinentes para o momento que estamos vivendo, e para, quem sabe, auxiliar em decisões futuras.


Um abraço!

Fonte:

https://www.sincovaga.com.br/wp-content/uploads/2020/05/1_5017503098675921079.pdf

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