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  • Luciana Adamatti

Cenário Econômico Global e a “Nova Normalidade”: Bem-vindo, Brazil!



Antes de mais nada, não, não há erro de ortografia no título deste artigo. Estou chamando nosso país de “Brazil” mesmo. E nas próximas linhas, já vou explicar o porquê.


A COVID-19 está apresentando, sem dúvida, desafios grandes (e inesperados) para a economia global. E o Brasil não é uma exceção. De acordo com relatório publicado pelo Bradesco em 28 de abril, com dados da Bloomberg, EIU, FMI e IBGE, a economia global terá retração de, pelo menos, -3,5%. Neste cenário, considerando as economias que mais impactam neste índice, Estados Unidos apresenta retração de -6% e a Zona do Euro, - 7,5%. A China cresce, mas bem abaixo dos índices dos anos anteriores: +1,5%. E para o Brasil, que vinha tentando se recuperar desde 2017, depois de dois anos amargando PIB com índice negativo, espera-se, até o momento, uma retração de -4,5% para 2020. É, não será um ano fácil.


Importante ressaltar que os impactos da retração global foram bastante significativos no setor de commodities, principalmente o petróleo, que teve sua maior desvalorização histórica no mês passado. O preço médio do barril de “ouro negro” chegou a impensáveis US$ 23.24 em Abril, sendo que em Janeiro, fechou a US$ 63.60. Em um prazo de 90 dias, houve uma desvalorização em torno de 65%. Para se ter uma ideia, em Abril de 2019, o mesmo barril teve um preço médio de US$ 71.20.


Porém, a “nova normalidade” trouxe mudanças nos hábitos de consumo, e obrigou empresários e profissionais a pensarem obrigatoriamente “fora da caixa”. Alguns exemplos:


- Com o aumento das compras on line pelo isolamento social, Amazon elevou seu valor de mercado para US$ 1,14 trilhões. De acordo com a revista Exame, no primeiro trimestre deste ano, as ações da companhia subiram 2,6%, de 1.898 dólares para 1.949 dólares. Em 29 de abril, as ações chegaram 2.370 dólares, mostrando como o coronavírus colaborou na elevação do valor de mercado da empresa.


- Guilherme Gisermam, da XP Investimentos, ressalta que:


· os jogos eletrônicos foram impulsionados pela quarentena. Em Abril, gastos com aplicativos de jogos cresceram 55% e a App Store teve o melhor mês em 2 anos e meio, enquanto a Activision Blizzard superou expectativa de lucro em 53%, Nintendo vendeu 170 milhões de unidades de software e EA registrou engajamento recorde no jogo NFL 20;


· academia caseira e hambúrgueres veganos também estão em alta; Peloton (bikes conectadas na internet) registrou 890 mil usuários fitness e Beyond Meat (hamburgers veganos) cresceu 140%;


· as 5 principais companhias aéreas do mundo (Delta, United, AA, Lufthansa e Air France), juntas, tem apenas 2/3 (US$ 30bi) do valor de mercado da empresa de vídeo-conferencia Zoom (US$ 44bi).


Em resumo: em tempos de pandemia e isolamento social, os negócios que já estavam se fortalecendo no mundo digital seguem firmes e fortes, com expectativas, inclusive, de crescimento.


E como fica o nosso país em meio a tudo isso? De acordo com Felippe Hermes, da InfoMoney, neste exato momento, seja em função da pandemia global, ou da guerra comercial, uma oportunidade imensa se coloca diante do Brasil.


Há dezenas de grandes empresas globais buscando maneiras de não depender da China em sua cadeia de produção. Apenas em 2019, foram nada menos do que 50 grandes empresas americanas saindo do gigante asiático.


Companhias como Google, Apple, HP, que se acostumaram a produzir por lá e aproveitar dos ganhos de escala e custos baixos, agora buscam reinventar sua cadeia de suprimentos. Segundo o diretor do conselho econômico dos Estados Unidos, essa é uma medida que tende apenas a acelerar nos próximos anos.


Esse movimento não era novidade, visto que hoje a mão de obra chinesa já é 15% mais cara que a brasileira, mas o que já era uma tendência tornou-se uma necessidade em função da pandemia.


Felippe ressalta que temos muito o que oferecer ao resto do mundo, se agirmos de maneira correta. Nenhum país tem tantas oportunidades na infraestrutura quanto o Brasil. Não por um acaso somos o 4º destino global de investimentos. Há um mar de oportunidades por aqui.


O Brasil tem hoje uma oportunidade de ouro que podemos disputar. Basta para isso algum consenso nacional sobre como melhorar nosso ambiente de negócios. Não se trata de uma oportunidade momentânea, mas de um rearranjo global que durará alguns anos. E não estamos falando apenas do agronegócio e commodities, aonde já somos referência: estamos falando em ser provedores de produtos manufaturados e semimanufaturados, substituindo a China neste cenário. Isso seria excelente para nossa indústria, e consequente expansão da economia.


Precisamos encarar esse momento sabendo que, na pior das hipóteses, caso sejamos deixados de lado por players globais que prefiram continuar no sudeste asiático, teremos encarado alguns dos nossos maiores problemas internos.


Temos a menor corrente comercial do G20, importamos e exportamos menos do que qualquer país em relação ao tamanho do nosso PIB. Visando ao aumento das vendas no mercado internacional, a Agência de Promoções de Exportações (APEX Brasil) está com um programa de apoio às empresas exportadoras brasileiras (inteligência comercial, relatórios, conexões com empresas nacionais e internacionais), tudo disponibilizado de forma on line e gratuita. Somando isso a uma situação de dólar favorável, temos uma oportunidade única de converter-nos no grande provedor de commodities (grãos, minérios, petróleo) E produtos manufaturados e semimanufaturados, para o mundo. De sedimentar o selo MADE IN BRAZIL, e apoiar a criação de uma economia forte. Recursos para isso temos, e de sobra.


É chegada a hora de transformarmos o Brasil em Brazil. Sua empresa está preparada para aproveitar esse momento? Você já está exportando? Caso não, já pensou em como fazer isso? Essa decisão pode ser o ponto crucial de sua manutenção e/ou crescimento dentro da “nova normalidade”!


Um abraço

Fontes:

· https://www.infomoney.com.br/colunistas/felippe-hermes/a-oportunidade-do-brasil-no-pos-pandemia/

· https://conteudos.xpi.com.br/internacional/relatorios/mundo-em-60-segundos-como-investir-na-proxima-decada/

· https://www.economiaemdia.com.br/BradescoEconomiaEmDia/static_files/pdf/pt/monitores/apresentacoes_depec/Cenario_DEPEC_mai20.pdf

· https://portal.apexbrasil.com.br/

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